terça-feira, 9 de novembro de 2010

FORMA

O desenho faz parte de uma das linguagens da Arte, pode ser usado como registro de pensamento, projeto, esboço ou obra original.
Com suas múltiplas facetas que mergulham em hibridismo contemporâneo, o desenho pode ganhar dimensões ampliadas na escola.
Agora porém o centro de nossa atenção é a forma.
Na obra artística, o invisível do conteúdo revela-se pela forma, isto é, pelos próprios elementos que compõem a música, a dança, o teatro, as artes visuais.
Qualquer forma permite múltiplas leituras, podemos perceber isto quando observamos as nuvens e vemos formas diferentes de nossos colegas, ou mesmo quando observamos outros tipos de “manchas”, cada uma revela para nós uma forma distinta, depende de nosso olhar.
Leonardo Da Vinci, em seu Tratado sobre a pintura, aconselhava a olhar para as paredes manchadas pela umidade, para pedras de cor desigual, para nuvens ou para a correnteza da água. Ali, ele encontrava incríveis paisagens, com montanhas, rochedos, vales e florestas. Encontrava também batalhas, estranhas figuras, roupas e expressões fisionômicas.
Formas são plenas de significações, também, quando não nos provocam o reconhecimento.


“Na criação artística e na obra de arte, têm de se considerar dois elementos ou aspectos essenciais, em geral mal compreendidos, muitas vezes postos em confronto. Um são os processos formais específicos, independentemente de qualquer intenção do artista de que na sua obra haja ou não haja qualquer outra coisa além dos processos formais. É a “forma” (…). Outro é aquilo que se tem chamado “conteúdo”, compreendido, não com um estreito e sectário significado político, mas como as significações sociais da obra, a mensagem que transmite, a reacção e os sentimentos que provoca nos outros seres humanos e na sociedade em que se integra”                                                                              

(Álvaro Cunhal. A arte, o artista e a sociedade, p.18)

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