terça-feira, 4 de outubro de 2011

Poema do eu menino

Com toda franqueza e nenhum preconceito,
Eu já desejei ser de tudo no mundo.
Poeta, contador de estória e vagabundo.
Hoje (quem diria!) sou juiz de direito.
Mas quis também ser rei, soldado e viajante.
Arre, como é duro ser gente importante!

Isso porem foi em tempos de menino.
(Também moleque sai com cada uma...)
Depois cresci. Do modelo ao figurino
Não restou - palavra! - semelhança alguma.
Tudo foi passando, passou sem parar.
Só mesmo a saudade teimou em ficar.

É, cresci, fiquei gente! Outras ideias...
Ouvia: "é preciso arrumar-se na vida,
Ter bom emprego, posição definida."
Assim, figurante de novas plateias,
Aplaudi a gloria, a fama e seu reinado.
No amor me enlevei; ri-me do próprio fado.

Mas, como são precário, como são pequenos,
Os reinos cobiçados deste mundo.
A glória, a fama, a sorte, os bens terrenos.
São puro engodo, ilusão de um só segundo.
Asas do tempo que nos levas ao destino!
Quando me tornarás de novo ao ser-menino?

Rei, poeta, contador de estória e vagabundo!
Não podia dar mesmo certo - incomodava!
Mas lá me vejo, eu menino, dono do mundo.
Naquele reino ficou tudo o que eu gostava,
Exceto as marcas que hoje tingem este poema,
Nesta hora de saudade, de saudade extrema!

Sebastião Carlos Garcia

Um comentário:

camila sousa disse...

Onde estao as perguntas..